<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155</id><updated>2011-11-27T19:26:25.961-04:00</updated><title type='text'>Fabi em Contos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-9056164325882048540</id><published>2009-02-02T21:14:00.000-04:00</published><updated>2009-02-02T21:15:40.268-04:00</updated><title type='text'>Já é noite</title><content type='html'>Um coração se faz de dias &lt;br /&gt;Cada novo sol te dá um novo&lt;br /&gt;A dureza da vida te dá um maior&lt;br /&gt;Ou te oferece um mais cruel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escolha é sua&lt;br /&gt;Você deve saber bem&lt;br /&gt;A quem dar o maior de seus sentimentos&lt;br /&gt;A quem dar somente um pedaço de si&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pedaço de si nas mãos erradas&lt;br /&gt;Pode se tornar um pedaço a menos dentro de você&lt;br /&gt;Nunca se doe sem pensar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-9056164325882048540?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/9056164325882048540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=9056164325882048540' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/9056164325882048540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/9056164325882048540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2009/02/ja-e-noite.html' title='Já é noite'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-6808596128061608856</id><published>2008-01-24T15:13:00.000-04:00</published><updated>2008-01-24T15:14:22.791-04:00</updated><title type='text'>Gota</title><content type='html'>E era tarde de domingo e chovia. Eles gostavam de estar juntos enquanto chovia porque podiam passar a tarde de pijamas com a luz apagada e podiam sonhar e fazer planos e contar piadas sem ter que sair de casa para nada.&lt;br /&gt;Mas agora ela estava só. E a cama estava mais vazia do que antes.&lt;br /&gt;Ela estava deitada. Não porque quisesse fazer planos, mas porque não tinha planos pra fazer, não tinha caminhos pra trilhar, não tinha onde ir e ainda chovia. A cama ficava de frente pra janela e ela via a chuva bater no vidro.&lt;br /&gt;Uma única gota na janela. No meio de todas as outras, foi apenas uma. E ela lembrou daquele dia.&lt;br /&gt;- Meu bem, está vendo aquela gota?&lt;br /&gt;- Qual? Tem milhares delas na janela.&lt;br /&gt;- Aquela ali, que corre para o lado direito. A maior. Está correndo, veja só.&lt;br /&gt;- Sim, o que tem ela?&lt;br /&gt;- Ela é sua&lt;br /&gt;- Minha? Obrigada. Mas o que eu faço com uma gota de chuva?&lt;br /&gt;- Eu dou ela pra você. Quero que você guarde. Mas não quero que você use.&lt;br /&gt;- E como eu uso uma gota?&lt;br /&gt;- Você já ouviu a voz do pranto, meu bem?&lt;br /&gt;- Já.&lt;br /&gt;- Ele traz a gota. Ela é a prova do meu amor por você. Você guarda, você a controla. Enquanto ela estiver guardada bem escondida, você nunca vai precisar usar. Ela é sua pra não ser usada.&lt;br /&gt;Ela sorriu, achou engraçado.&lt;br /&gt;Mas agora ela abrira a caixinha de música e a gota rolara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-6808596128061608856?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/6808596128061608856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=6808596128061608856' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/6808596128061608856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/6808596128061608856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2008/01/gota.html' title='Gota'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-465033758034925251</id><published>2007-10-19T14:46:00.000-04:00</published><updated>2007-10-19T15:11:59.336-04:00</updated><title type='text'>Adiante</title><content type='html'>Catarina finalmente achou que havia encontrado alguém pra vida toda, alguém com quem pudesse contar, que a levasse para jantar no sábado a noite e andasse de mãos dadas com ela. Mas o que Catarina não sabia é que Júlio tinha medo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele lembrava do passado e tinha medo de esticar as mãos para outra mulher, estremecia ao pensar que podia sentir tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela agia ao contrário: Olhava para o passado e queria ter a felicidade de antes, se jogar de cabeça. Não somente esticar as mãos, mas segurar bem forte a do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo uniu os dois, mas os corações batiam diferente. O olhar de um era medo, o do outro era esperança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então Catarina descobriu que segurar na mão do medo lhe tirava toda a esperança possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardou mais uma decepção no peito, encheu os olhos de coragem e não desistiu. Olhou para frente e viu uma longa rua, uma subida. Sentiu-se cansada. Sentou na beira da calçada, recuperou o ar e continuou a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para trás por um momento e percebeu o quanto já havia caminhado. Não enxergava lá atrás o começo de tudo. Estava muito distante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apontou o nariz para frente e sentiu que lá na frente caminhava alguém que tinha a esperança de óculos, assim como na música de Elis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguia ver ainda a face do que lhe esperava, mas sabia que estava lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calçou um sapato mais confortável e apenas seguiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-465033758034925251?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/465033758034925251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=465033758034925251' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/465033758034925251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/465033758034925251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2007/10/adiante.html' title='Adiante'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-5705581513664418843</id><published>2007-06-21T19:59:00.000-04:00</published><updated>2007-06-21T20:44:03.739-04:00</updated><title type='text'>José Roberto, o moço da radiografia</title><content type='html'>José Roberto trabalhava de madrugada, saía de casa às onze da noite quando a maioria estava se recolhendo. Pegava o último ônibus e caminhava mais dois quarteirões até chegar ao hospital em que trabalhava. O turno ia da meia noite às seis. &lt;br /&gt;Entrava no prédio do hospital, subia de elevador até o segundo andar e de lá ia a pé até o terceiro, onde só se chegava pelas escadas. Ao subir os degraus seguia para esquerda em direção ao setor de radiologia. Vestia o avental branco e se preparava para as noites que eram quase sempre lotadas de pacientes que precisam de radiografia. Havia noites que ele ficava tanto tempo no escuro da sala que mal se lembrava como era a luz do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite.&lt;br /&gt;- Boa noite - respondeu a moça.&lt;br /&gt;- A senhora pode, por favor, tirar o sutiã e a blusa e vestir esse avental?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Pode usar aquele banheiro ali.&lt;br /&gt;- Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele achava estranho ter aquele tipo de conversa com as mulheres que chegavam lá. Porque na realidade ele nunca havia pedido isso para uma mulher que não fosse dentro da sala de radiologia, e nenhuma nunca havia feito isso por livre espontânea vontade quando estava com ele.&lt;br /&gt;Ele sempre fora sozinho. Sempre!&lt;br /&gt;Ele era calado, não tinha muitos amigos e nem muito o que fazer quando estava em casa. Por isso ansiava para chegar a hora de ir para o hospital e trocava as folgas com os outros técnicos de radiografia, porque nunca tinha compromisso no fim de semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pronto&lt;br /&gt;- Ok, pode deitar de barriga para cima. O que lhe aconteceu?&lt;br /&gt;- Não sei, acordei de madrugada com uma dor muito forte nas costas. O médico acha que pode ser apendicite -  a mulher explicava enquanto ele ajeitava o corpo dela e a máquina. &lt;br /&gt;- Certo. Não se mexa. Quando eu pedir você prende a respiração por uns segundos.&lt;br /&gt;- Está bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era magra, cabelos longos, liso, e tão pretos que brilhavam. Depois dela vieram mais três, uma baixinha de cabelos curtos e ruivos, uma senhora gordinha, e por último, uma negra bonita de cabelos armados e encaracolados.&lt;br /&gt;Ele ficava intrigado. Olhava as radiografias, tentava entender como é que ele, justo ele, não conseguia conquistar a alma de uma mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justo eu que vejo todos os dias como é que elas são por dentro - pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes ficava horas olhando fixamente para as fotografias para saber se, de repente, em um instante de distração da alma feminina, a emissão eletromagnética pudesse ter flagrado uma aventura qualquer do pulsar dos sentimentos mais íntimos de uma mulher.&lt;br /&gt;Mas era díficil. A alma era quase sempre tão esperta que não deixava se fotografar.&lt;br /&gt;José Roberto não desistia. A radiografia era sua paixão. Paixão que tinha encontrado para satisfazer a falta que lhe fazia ter uma paixão de verdade.&lt;br /&gt;Paixão que se apegava sempre que o hospital estava vazio. Assim ele podia imaginar como seria o exterior de tudo o que ele havia visto interiormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como será? E aproveitava para inventar lembranças de momentos que havia vivido com cada uma das mulheres que por lá passavam. Ficava em silêncio pensando, vendo o que poderia ser.&lt;br /&gt;- José Roberto, tem uma paciente aguardando.&lt;br /&gt;- Pode mandar entrar.&lt;br /&gt;Dessa vez era uma loira, de quase quarenta. &lt;br /&gt;- Prende a respiração quando eu pedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele entrava na sala escura para acionar os botões com a esperança de que a foto pudesse lhe mostrar algo mais. E depois tinha mais tempo pra pensar no que não fora, no que não era, no que nunca seria. No final, ele era assim: não via nada por dentro, nada por fora. Só um imenso vazio dentro de si por ver tanto e, afinal, não ver nada. &lt;br /&gt;E então ele seguia sendo apenas o José Roberto, o moço da radiografia.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-5705581513664418843?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/5705581513664418843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=5705581513664418843' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/5705581513664418843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/5705581513664418843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2007/06/jos-roberto-o-moo-da-radiografia.html' title='José Roberto, o moço da radiografia'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-3439086701179860983</id><published>2007-05-07T19:36:00.000-04:00</published><updated>2007-05-07T19:44:51.392-04:00</updated><title type='text'>Luiza nunca brincou</title><content type='html'>Luiza foi a primeira dos trezes filhos de Maria e Joaquim, moradores de uma fazenda localizada no Sul de Minas, na cidade de Conceição dos Ouros, bairro do Caxambu. Ela nunca brincou. E também nunca estudou. Lá não havia escola. A menina até freqüentara uma quando um fazendeiro generoso contratou uma professora para ensinar seus filhos e cedeu algumas vagas para filhos de vizinhos. Mas a “regalia” não duraria por mais de seis meses. A professora foi embora e também não dava pra perder tempo com escola quando se tinha tanto o que fazer em casa. &lt;br /&gt;Ela era primeira mulher da família e logo viriam seus outros irmãos e Luiza, desde os seus sete anos, precisava ajudar sua mãe Maria.&lt;br /&gt;- Mamãe tem sempre muita roupa pra costurar.Às vezes o bolo de panos é tão grande que ela não vence de tanto trabalhar. Eu preciso cuidar dos meninos, trocar as fraldas, ajudar na limpeza da casa, levar a marmita para o pai lá na roça. O fogão a lenha da cozinha é muito alto para mim. Mas mamãe providenciou um banquinho. Eu subo nele e pronto, posso cozinhar a vontade.&lt;br /&gt;- Luiza, mas quando é que você brinca?&lt;br /&gt;- Eu nunca brinco. Só às vezes né? Quando sobra algum tempinho e alguém vem aqui brincar comigo. &lt;br /&gt;- E você brinca do que menina?&lt;br /&gt;- Ah, quando alguma das vizinhas vem aqui a gente brinca de casinha.&lt;br /&gt;- Mas não é isso que você faz quando não está brincando?&lt;br /&gt;- É, mas aí é de verdade né? &lt;br /&gt;- E qual a diferença?&lt;br /&gt;- Ah, eu sempre guardo os pedaços de louça que se quebram e finjo que são panelinhas, xicrinha... Essas coisas. Aí a gente vai na horta da mãe e apanha uns matinhos pra fingir que é comidinha. &lt;br /&gt;E assim, raramente, ela brincava. E quando brincava, repetia sua rotina diária, só que de brincadeirinha.&lt;br /&gt;A menina foi crescendo sem brincar. No cafezal do pai conheceu Jeremias.&lt;br /&gt;- Eu fiquei com medo quando ele chegou perto de mim. Porque se o pai vê ele lá conversando comigo enquanto eu trabalho ele fica bravo.&lt;br /&gt;Namoraram oito meses. E ela continuava sem brincar. Jeremias fora para São Paulo, arrumara emprego e voltou pra buscar Luiza. &lt;br /&gt;Com 17 anos Luiza casou-se com ele e só conheceu sua casa quando chegou a São Paulo, no dia seguinte ao casamento. Aí ela conheceu o lugar que seria uma brincadeira só dela. Aos vinte teve Eunice, depois vieram os gêmeos Ézio e Elza, seguidos do Ezequias. &lt;br /&gt;Ela crescera sendo mulher, crescera sendo mãe, nascera quase crescida. E depois viria a próxima geração e ela mais uma vez não tinha tempo pra brincar.&lt;br /&gt;Ela aprendeu a fazer da vida o lavar, o passar, o matar a galinha, o colher fruta no pomar, o cozinhar, o apanhar hortaliças, o tirar leite da vaca, o educar os filhos. A sua vida sempre foi um eterno servir. &lt;br /&gt;E eu me pergunto intrigada: Como é que ela consegue ser assim tão amável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Conto baseado na história verídica de Luiza Moreira da Silva, minha doce avó. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-3439086701179860983?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/3439086701179860983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=3439086701179860983' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/3439086701179860983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/3439086701179860983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2007/05/luiza-nunca-brincou.html' title='Luiza nunca brincou'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-4855932314672128497</id><published>2007-04-20T15:24:00.000-04:00</published><updated>2007-04-20T16:53:23.818-04:00</updated><title type='text'>Instante Inútil</title><content type='html'>Às seis da manhã não se pensa em muita coisa. A cabeça fica vazia por um tempo até que os sentidos comecem a funcionar com o devido entusiasmo. João acordara há pouco mais de 15 minutos e já estava pronto para ir ao trabalho. Depois de colocar a maleta no carro, começou a dirigir em direção ao escritório. &lt;br /&gt;Clélia já estava acordada, saíra de casa para deixar os filhos na escola e já seguia para o colégio onde lecionava, apressada, como sempre. O trânsito caótico a deixava irritada. A avenida mais movimentada do bairro tinha congestionamentos enormes naquela hora da manhã.&lt;br /&gt;João procurava uma música interessante no rádio pra se distrair e tentar driblar o sono. &lt;br /&gt;Clélia pensava nas provas que tinha que corrigir a tarde.&lt;br /&gt;Os dois emparelharam os carros, o carro vermelho de Clélia á esquerda do carro preto de João. Os dois olharam no relógio e o farol continuava fechado. &lt;br /&gt;- As ruas da cidade estão congest... &lt;br /&gt;- Agora você escuta mais um sucesso brasileiro aqui na...&lt;br /&gt;- O resultado do PIB deve aumentar este ano para...&lt;br /&gt;- Love, love me do. I know I Love you,so pleeasse.&lt;br /&gt;O sol está forte. &lt;br /&gt;Clélia procura os óculos escuros na bolsa. &lt;br /&gt;Antes de o farol abrir ela já aguardava com o pé na embreagem e a primeira marcha engatada. No verde já estava pronta a sair. &lt;br /&gt;Os sentidos que João tentava acordar com as estações do rádio de repente perceberam que ele podia estar há alguns metros a frente, ele devia estar há alguns metros a frente.&lt;br /&gt;- Preciso chegar logo no trabalho, lembrou.&lt;br /&gt;Prontamente ele pisou no acelerador e já estava ao lado do carro de Clélia novamente.&lt;br /&gt;- Preciso passar esse carro. Vai, anda camarada. Anda que eu quero entrar na frente do carro vermelho, pensava.&lt;br /&gt;A professora já pensava nas compras no supermercado que devia fazer quando saísse do trabalho.&lt;br /&gt;Quando o carro da frente acelerou um pouco João ocupou o espaço dele e repentinamente jogou o carro para a pista à sua esquerda, logo a frente do carro de Joana.&lt;br /&gt;Ela lembrou-se que precisava chegar logo a aula. Ficou irritada porque poderia estar ali, no lugar do carro preto.&lt;br /&gt;- Mas que droga, por que eu o deixei entrar? Era pra eu estar ali, uma posição a frente. &lt;br /&gt;Foram tentando se superar. Todas as outras coisas pareciam ter sido esquecidos, porque os dois vislumbravam-se com o poder e queriam estar no topo, e chegar primeiro, e andar mais rápido, e saber mais, e ser mais esperto, e dirigir melhor, e ter o melhor carro, e saber fazer as melhores manobras, e chegar, chegar, chegar sempre antes.&lt;br /&gt;Foram assim, até que Clélia teve que entrar à direita, seguiu outro rumo, deixando João sozinho, já com os sentidos acordados e entusiasmados, mas sem mais ninguém para superar. Continuou seguindo o seu caminho.&lt;br /&gt;Ambos chegaram no mesmo exato momento ao local de trabalho. Cada um em um canto da cidade, sem ter ganhado absolutamente nada, sem ter se superado em nada, sem provar nada a si mesmo.&lt;br /&gt;Foi somente mais um dia, um instante de luta inútil com as quais a maioria dos seres humanos perde grande parte do dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-4855932314672128497?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/4855932314672128497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=4855932314672128497' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/4855932314672128497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/4855932314672128497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2007/04/instante-intil.html' title='Instante Inútil'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-5425704646620506394</id><published>2007-04-18T13:03:00.000-04:00</published><updated>2007-04-18T13:22:26.955-04:00</updated><title type='text'>Dama da Noite</title><content type='html'>Girou a chave, pisou na embreagem, engatou a primeira e pisou vagarosamente no acelerador. Estava feliz, muito feliz. Saía de um jantar em família em que se sentia incrivelmente bem.&lt;br /&gt;- Nós vamos ter um bebê, havia revelado há pouco para os pais e sogros que estavam na sala de sua antiga casa. &lt;br /&gt;As famílias brindaram e ela sentia que aquele era um dos momentos mais sublimes pelo qual já havia passado. Era incrível saber que ela carregava uma vida dentro dela, uma vida novinha, que ia descobrir todas as coisas que ela já vira. E ela, ela e ele eram os responsáveis por tudo. &lt;br /&gt;Despediu-se de todos e partiu para casa. Ele saíra um pouco antes para levar os pais. Se encontrariam mais tarde. &lt;br /&gt;Samantha bateu a porta do apartamento de sua mãe e enquanto esperava o elevador pensava em todas as coisas boas que já lhe haviam acontecido, em como tudo estava se indireitando.&lt;br /&gt;Engatou a segunda. A terceira. Ligou o rádio. &lt;br /&gt;A noite estava linda, quente. Lembrou-se de quando era criança e os pais colocavam as cadeiras na calçada e ficavam conversando com os vizinhos, bebendo cerveja, comendo amendoim. Agora ela também daria boas lembranças ao seu próprio filho. Ela esperava que ele nascesse numa noite como essa e que ele pudesse, ao sentir cheiros diferentes, lembrar também de momentos que haviam lhe feito bem.&lt;br /&gt;Parou no semáforo, uma árvore de Dama da Noite exalava um profundo cheiro de passado. Lembrou-se do sítio de sua vó, onde passava todas as férias, quando criança. Lá havia um árvore como aquela. E ao lado via-se balanços, onde as crianças costumavam ficar horas se balançando e quando a noite vinha, lhe enchia os pulmões o cheiro das flores. &lt;br /&gt;- Se vovô estivesse vivo iria costruir um balanço pro neném, assim como ele fez com todos os netos, pensou.&lt;br /&gt;Com o pensamento longe ainda submerso no perfume das noites de férias, nem percebeu quando parou ao seu lado um homem. Não viu seu rosto. Estava escuro.&lt;br /&gt;A mão do homem entrou sobre o vão do vidro aberto, apertou-lhe a garganta e pediu que lhe passasse a bolsa, a carteira, o celular, o carro, tudo o que tinha.&lt;br /&gt;Ela tirou o cinto de segurança. Pediu somente para pegar o sapatinho de tricô que o marido havia comprado e lhe presenteado durante o jantar. O homem deixou. &lt;br /&gt;- Agora vire as costas e saia andando sem olhar pra trás.&lt;br /&gt;Samantha chorava. Obedeceu.&lt;br /&gt;O homem entrou no carro e acelerou. Ela sentiu um alívio e segurava firme o sapatinho de tricô enquanto se distanciava cada vez mais das damas da noite. &lt;br /&gt;Inesperadamente o homem engatou a marcha ré. Desceu do carro e, antes que ela pudesse entender o que estava acontecendo, uma bala passou pela sua nuca. Os sapatinhos, que eram amarelos, ficaram caídos ao lado dela.&lt;br /&gt;O carro arrancou e sumiu na escuridão.&lt;br /&gt;Pela última vez, numa noite como aquela, ela sentia o cheiro da dama da noite. &lt;br /&gt;Os olhos fecharam. &lt;br /&gt;Pela primeira vez, numa noite como aquela, as damas da noite não mais tinham cheiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-5425704646620506394?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/5425704646620506394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=5425704646620506394' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/5425704646620506394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/5425704646620506394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2007/04/dama-da-noite.html' title='Dama da Noite'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-5612158706298114433</id><published>2007-02-01T09:33:00.001-04:00</published><updated>2007-02-01T09:38:02.443-04:00</updated><title type='text'>Palavras que não dizem</title><content type='html'>&lt;div class="deleteBody"&gt;  &lt;p style="color: rgb(119, 119, 119);" class="postBody"&gt; - Olha menina... Olha a bola rolando pro outro lado. Corre, pega ela. Vai cair no rio. Vai cair...&lt;br /&gt;Ela corria  e se apressava.&lt;br /&gt;Os pés estavam sujos, o corpo suado, os cabelos ruivos presos num alto rabo de cavalo. Ela sorria enquanto corria.&lt;br /&gt;- Ah Maíra. E agora? Quem vai pegar a bola?, reclamou.&lt;br /&gt;- Deixa que eu pego. Ah, tá calor! Eu vou entrar na água. Não quer vir?&lt;br /&gt;Ah, como ela era corajosa, ele pensava.&lt;br /&gt;- Mas sua mãe não vai gostar da sua roupa molhada.&lt;br /&gt;Era tarde demais. Ela já havia se jogado na água e sorria, sorria. Ele via tudo em câmera lenta. As gotas que espirravam caíam devagar entre os movimentos de Maíra, que pulava, mergulhava, voltava a superfície.&lt;br /&gt;Ele a admirava, ela parecia uma bailarina.&lt;br /&gt;- Venha, vamos terminar o jogo aqui. A gente se seca no sol antes de voltar pra casa. Vem.&lt;br /&gt;- Mas Maíra...&lt;br /&gt;Inesperadamente ela saiu da água,  correu rapidamente na direção dele e o abraçou.&lt;br /&gt;- Pronto, ela gargalhava. Agora você já está molhado. Larga de ser fresco.&lt;br /&gt;E puxou- o pela mão. Ele abriu um sorriso e correu com ela de mãos dadas até o lago.&lt;br /&gt;Pularam os dois juntos e riam, riam e jogavam água um no outro.&lt;br /&gt;- Sabe de uma coisa? Você é meu melhor amigo.&lt;br /&gt;Ele ia responder, até chegou a abrir a boca para pronunciar a palavra, mas ela mergulhou repentinamente. E quando voltou acima já era outro momento.&lt;br /&gt;- Eu duvido que vc me pegue... Vai ficar aí parado é? Seu maricas.&lt;br /&gt;Ele mergulhou atrás dela, agarrou-lhe os calcanhares. Subiram para a superfície.&lt;br /&gt;- Quem é maricas aqui?&lt;br /&gt;- Ah, eu que deixei você me pegar.&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;- Eu queria te dizer uma coisa.&lt;br /&gt;- Diga logo. Você não precisa me avisar que vai dizer alguma coisa. Apenas diga. Seu bobão. Eu não gosto dessa sua mania de querer explicar tudo o que você vai fazer.&lt;br /&gt;- É que quando você disse eu era seu melhor amigo...&lt;br /&gt;- É verdade oras, interrompeu ela. Você acha que é mentira. Eu adoro brincar com você porque você joga bola muito bem ,sobe em árvore mais rápido que ninguém, me leva doces gostosos que sua mãe faz. Eu acho que é por isso né? A minha mãe me disse outro dia que pra gente descobrir quem é o nosso melhor amigo, é só a gente perceber em quem é que a gente pensa quando tem a idéia de uma nova brincadeira, ou, quem a gente quer ver primeiro quando está triste. Eu pensei e aí vi que eu sempre penso em você. Deve ser porque você me conta piadas quando estou triste e sempre aceita minhas idéias. Ah, e você diz que meu cabelo de fogo é o mais bonito de todos. Você fala coisas bonitas. Vem, vamos sair. A gente precisa se secar.&lt;br /&gt;Deitaram na grama, na margem do lago.&lt;br /&gt;- Ah, mas você tinha algo a me dizer. Eu sempre desando a falar, riu a garota.&lt;br /&gt;Ele ficou em silêncio. O sol começava a se pôr. Os dois estavam deitados de barriga para cima lado a lado e olhavam fixamente o céu rosado de final de tarde.&lt;br /&gt;- Eu ia dizer... Eu não ia dizer nada.&lt;br /&gt;Pegou na mão dela e ficaram ali por horas sem dizer uma palavra.&lt;br /&gt;-Eu não quero dizer nada. Eu não preciso dizer nada... &lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-5612158706298114433?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/5612158706298114433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=5612158706298114433' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/5612158706298114433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/5612158706298114433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2007/02/palavras-que-no-dizem_01.html' title='Palavras que não dizem'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-116984121685422385</id><published>2007-01-26T15:47:00.000-04:00</published><updated>2007-01-26T15:54:49.100-04:00</updated><title type='text'>Caixinha de Música</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://spa.fotologs.net/photo/10/26/64/fabiemclique/1156903948_f.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://spa.fotologs.net/photo/10/26/64/fabiemclique/1156903948_f.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era hora de ir embora e se livrar do ambiente que há poucos minutos parecia-lhe hostil. Abriu a porta do carro. Sobre o banco uma caxinha de música azul decorada com um mosaico em forma de coração. Catarina achava lindo coisas de amor, adorava letras e poemas, mas não acreditava mais que o amor poderia fazer parte de sua vida. Não cria que um dia a canção da caixinha de música iria tocar mais bela quando ela a abrisse no sábado a noite antes de sair de casa.&lt;br /&gt;Pegaram a estrada, Lilian dirigia e Catarina estava sentada no banco do passageiro. As duas eram grandes amigas, as vezes um milhão, as vezes uma metade da outra. Eram muito diferentes, mas havia dias que nasciam iguais.&lt;br /&gt;Lilian viu que pouco a pouco o semblante de Catarina fazia-se mais pesado, mais áspero e começava a umedecer. Há tempos que sua face já não era igual, há tempos que estava ficando assim cada dia mais vazia, como se ela perdesse os olhos que enxergavam com o coração, a boca que falava com o sentimento e o nariz que sentia o cheiro das flores. Lilian se entristecia cada vez que via sua irmã mais velha deste jeito pois era como se um pedaço dela mesma estivesse despedaçado, porque ela se sentia satisfeita quando a irmã podia sorrir e quando a irmã contava dos finais de semana animados, das compras que tinham estourado o limite do cartão de crédito ou mesmo se quando preocupava com os bíquinis que precisava levar para passar as férias na praia.&lt;br /&gt;Lili, como a irmã a chamava, estava cansada de ver o cansaço da irmã, porque ele a fazia se sentir imensamente impotente. E naquela noite, enquanto a irmã mais velha chorava com a caixinha de música no colo, com o carro a 120 por hora, Lili desejou por um momento que pudesse ter controle de vida da sua melhor amiga, assim como guiava o carro na estrada escura. Ela queria acender os faróis, trocar de faixa, aumentar a velocidade e deixar o vento bater no rosto de Catarina levando embora tudo o que não era dela. Mas naquela momento os desejos não se realizavam e as lágrimas molhavam o coração feito com pedaços de azulejo fixados com massa corrida na caixinha azul.&lt;br /&gt;A irmã mais nova disse o que costumava dizer, mas disse menos do que queria, porque temia que com a repetição de suas palavras a irmã mais velha se tornasse mais descrente. Lilian sempre dizia as mesmas coisas, mas não, não era em vão. Ela realmente acreditava, mas quando falava para Catarina tinha a impressão de que não surtiam efeito, que a fé havia se tornado tão rarefeita, que com a face diluída, nem mesmo os ouvidos eram capazes de ouvir com esperança.&lt;br /&gt;Antes de dormir, naquela noite, Lili fez uma prece em favor da irmã, acordou pensando em sua dor e queria mesmo que ela tivesse de volta o que lhe tiraram, queria que o coração de Cate pudesse ser colado com massa corrida numa história azul onde houvesse música e sonhos brilhantes. Queria que ela fosse novamente ela.&lt;br /&gt;E se dispôs a pedir a Deus todos os dias por ela, até o sol iluminar a estrada dela. Até que ela pudesse abrir a caixinha de música, apanhar uma jóia e ir ao cinema de mãos dadas. (29/08/2006)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-116984121685422385?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/116984121685422385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=116984121685422385' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116984121685422385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116984121685422385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2007/01/caixinha-de-msica.html' title='Caixinha de Música'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-116984051983137366</id><published>2007-01-26T15:41:00.000-04:00</published><updated>2007-01-26T15:42:14.506-04:00</updated><title type='text'>Um pé na frente do outro</title><content type='html'>Quem me dera um dia só por vez, uma noite bem dormida, um prazer a cada 12 horas, uma alegria em horas. E então sabe-se lá amanhã, sabe-se lá o que tem, mas sabe-se sempre que saberemos ser o que esperamos, que seremos o que queremos.&lt;br /&gt;O tempo limita, mas é preciso,ainda assim, saber construir, mesmo que demore mais do que esperamos. &lt;br /&gt;(15/09/2006)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-116984051983137366?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/116984051983137366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=116984051983137366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116984051983137366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116984051983137366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2007/01/um-p-na-frente-do-outro.html' title='Um pé na frente do outro'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-116982662369752355</id><published>2007-01-26T11:27:00.000-04:00</published><updated>2007-01-26T11:50:23.710-04:00</updated><title type='text'>O Mundo desconhecido</title><content type='html'>De todas as coisas que já haviam sido ditas, de todas as histórias que havia ouvido, de  tudo que já lhe havia acontecido, aquilo era, inexplicavelmente, uma das mais dolorosas sensações. Kátia ainda não se enxergava como mulher e exatamente por isso,vez por outro, agia como criança, como se quisesse afirmar para si mesmo que ainda era só uma menina.&lt;br /&gt;Ela começava a entender que crescera porque pela primeira vez, a dor doía mais tempo do que alguns minutos. Quando a gente é criança, as dores não dóem por muito tempo. Você chora, esperneia, mas há sempre alguma outra brincadeira a esperar.&lt;br /&gt;Mas acredite, quando as coisas parecem ficar mais doloridas, abra os braços e receba a vida adulta, porque os problemas já não são mais tão pequenos.&lt;br /&gt;Crescer era muito mais do que poder sair sozinha, do que poder tomar conta da própria vida, crescer era acima de tudo, escolher quem ela queria ser.&lt;br /&gt;O problema das escolhas é que quase sempre elas levam a caminhos completamente diferentes e Kátia percebera que todos os dias, todas as manhãs que abrisse os olhos, já começaria a maratona de escolhas.&lt;br /&gt;Ela escolheria a roupa que vestiria para o trabalho, que trabalho priorizaria sobre a mesa abarrotada de papéis, escolheria se iria jantar com uma velha amiga ou matar a saudades do namorado, escolheria se queria viajar no final de semana ou se começaria as aulas de francês. &lt;br /&gt;E isso tudo lhe metia medo. Um medo que entrava pelo nariz, junto à respiração e lhe percorria o corpo todo.&lt;br /&gt;As vezes ela acordava de manhã achando ainda ser criança. Ela esperava a mãe acordá-la e imaginava que o uniforme da escola estaria pronto para ser vestido, mas de repente, ela se via sob sua própria responsabilidade.&lt;br /&gt;E para Kátia doeu. Doeu crescer, doeu ver que mundo é assim tão doído, tão sujo, tão diferente do que ela imaginava ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-116982662369752355?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/116982662369752355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=116982662369752355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116982662369752355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116982662369752355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2007/01/o-mundo-desconhecido.html' title='O Mundo desconhecido'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-116342410914414510</id><published>2006-11-13T09:17:00.000-04:00</published><updated>2006-11-13T09:21:49.153-04:00</updated><title type='text'>Sou um decassílabo</title><content type='html'>Eu não gosto de métricas, de escrever poesias com rimas e nem mesmo de redondilhas&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt; ou dos decassílabos&lt;strong&gt;**&lt;/strong&gt;. Sim gosto de lê-los, mas fazê-los vai além do meu credo de palavras livres e soltas, com a liberdade da literatura e dos pensamentos. É por isso que prefiro escrever contos. Porque faço deles o que bem entender. Penso assim, sou assim. &lt;br /&gt;Mas quando olho pra dentro de mim, mas pareço um poema de Camões com sua medida velha, ou redondilha, ou um exemplar de Os Lusíadas com a inovação do decassílabo.Explico.&lt;br /&gt;A verdade é quando escrevo quero ser livre e quando sou quero ser padrão, quero ser metrificada. E aí exijo de todos ao meu redor as redondilhas. Dê as voltas necessárias mas me venha redondilha. Transforme-se em dez, mas me venha decassílabo. &lt;br /&gt;E então a frustação é evidente, pois ninguém consegue ser verso de Lusíadas o tempo todo, nem rimar como Chico, nem metrificar como Camões. A vida nem sempre é poesia, a vida é muito mais prosa. &lt;br /&gt;Hora ele age sem rimas adornadas, hora quer ser um verso bem feito e metrificado. Por isso não se pode esperar sempre poesia. Tudo é válido, tudo é literatura, nada é feito palavras ao vento. Seja o que for, é bom saber que a vida nem sempre é pentassílabo&lt;strong&gt;***&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*Redondilha &lt;/strong&gt;é o nome dado, a partir do século XVI, às estrofes em verso de cinco ou sete sílabas — a chamada medida velha. Aos primeiros dava-se o nome de redondilha menor e, aos segundos, de redondilha maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;** Decassílabo &lt;/strong&gt;é o verso composto por dez sílabas métricas. Consoante a acentuação, os decassílabos podem ser classificados de várias formas. O decassílabo clássico é geralmente acentuado nas sexta e décima sílabas, tomando então o nome de decassílabo heróico. Dele se encontra exemplo na quase totalidade dos versos de Os Lusíadas, de Luís de Camões. Quando o acento recai sobre as quarta, oitava e décima sílabas, o decassílabo designa-se sáfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;***Pentassílabo &lt;/strong&gt;ou Redondilha Menor são os versos compostos por cinco sílabas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-116342410914414510?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/116342410914414510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=116342410914414510' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116342410914414510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116342410914414510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2006/11/sou-um-decasslabo.html' title='Sou um decassílabo'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-116308754947730668</id><published>2006-11-09T11:48:00.000-04:00</published><updated>2006-11-09T11:52:29.490-04:00</updated><title type='text'>Glória</title><content type='html'>E quando Glória acordou já era tarde. Estava atrasada e ainda tinha que levar os filhos na escola, deixar o bilhete para a empregada com as devidas recomendações, preparar a merenda das crianças, esquentar o leite, colocar a mesa do café. Já eram quase 8 quando os olhos abriram involuntariamente de um sonho que a paralisara na profundidade de seu pensamentos de sono. &lt;br /&gt;O mundo desabava numa só pessoa. As pessoas faziam fila na porta de sua casa com listas enormes de problemas que queriam resolver, coisas que somente Glória poderia fazer. Apesar da multidão do lado de fora, ela se desesperara e dizia bem alto ao marido. &lt;br /&gt;- Eles estão enganados. Eu não posso. Eu não sei resolver nada, não consigo. Eu nem os conheço.&lt;br /&gt;O marido não falava absolutamente nada, apenas balançava a cabeça num aceno negativo.&lt;br /&gt;Abriu um pedaço da cortina e a rua em frente a seu jardim parecia cada vez mais cheia. Ela tinha medo e não tinha coragem de abrir nem uma fresta da janela pois não conseguia imaginar a reação das pessoas que esperavam ao saberem que a glória estava apenas no seu nome.&lt;br /&gt;Respirou fundo. &lt;br /&gt;Rebraram-lhe o vidro da janela com uma pedra. Isso já era demais.&lt;br /&gt;Num impulso contínuo foi até a porta e abriu-a com agressividade. &lt;br /&gt;- O que é vocês querem?&lt;br /&gt;- Queremos que você resolva, respondeu uma senhora com os cabelos brancos e um coque.&lt;br /&gt;- Quem é o primeiro da fila? - Disse ela de forma firme e irritada. &lt;br /&gt;- Sou eu, respondeu a mesma senhora. Tenho forte dor nas costas e nas pernas. Não sei o que fazer.&lt;br /&gt;- Aqui está, procure o Dortor Macedo neste endereço. &lt;br /&gt;- Ah, obrigado. Não sabia que isso existia.&lt;br /&gt;- Próximo, interrompeu-a&lt;br /&gt;- Me sinto gorda&lt;br /&gt;- Vá caminhar. Tem um parque bonito há três quarteirões daqui.&lt;br /&gt;- Preciso de dinheiro&lt;br /&gt;- Aqui está os classificados. Qual é sua formação? Procure uma vaga de emprego.&lt;br /&gt;Uma a uma as pessoas foram partindo e ela conseguiu indicar o caminho da resolução para quase todos. Para alguns porém, ela dizia:&lt;br /&gt;- Desculpe, não tenho a solução para isso.&lt;br /&gt;E então ela acordou sedenta e tinha ainda muito o que resolver. Pensou que não podia, mas levantou-se vestiu-se com um vestido florido azul piscina e acordou as crianças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-116308754947730668?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/116308754947730668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=116308754947730668' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116308754947730668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116308754947730668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2006/11/glria.html' title='Glória'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-116178465077761291</id><published>2006-10-25T09:46:00.000-04:00</published><updated>2006-10-25T09:57:30.786-04:00</updated><title type='text'>Somente ser</title><content type='html'>Cortou o peito tranversalmente com o bisturí. Arrancou a pele.&lt;br /&gt;Entre o coração e peito havia um vazio cheio de ar, um ar rarefeito, uma bolha de ar. Há tempos que estava lá. Há tempos que doía a ela aquele espaço cheio daquilo.&lt;br /&gt;Era o mal do século. Todo mundo achava que tinha, mas só alguns tinham mesmo. Ela tinha!&lt;br /&gt;Olhava no espelho. Enfiou a mão no buraco estampado no peito, retirou com dor e pesar aquele ar preso que contraditoriamente, lhe fazia perder o ar. Sentiu se leve, toda a ansiedade e pontadas que sentira não mais existiriam.&lt;br /&gt;O ar preso se esvaiu pelo seu banheiro, saiu pela janela. Ela tentou pegá-lo, mas não conseguiu. Temia que ele achasse outro peito pra se alojar.&lt;br /&gt;Tinha sido muito difícil ter coragem para arrancar o mal pela raiz. Leve como estava, costurou o corte e dormiu tranquilamente.&lt;br /&gt;Não mais se humilharia. O ar não tinha mais nenhum poder sobre os seus pensamentos e coração. Ninguém mais gozaria de suas atitudes, ninguém mais diria que ela estava exagerando.&lt;br /&gt;Ela não tinha mais idéias como as de antes. Era livre para somente ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-116178465077761291?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/116178465077761291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=116178465077761291' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116178465077761291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116178465077761291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2006/10/somente-ser.html' title='Somente ser'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-116001168430682978</id><published>2006-10-04T20:43:00.000-04:00</published><updated>2006-10-04T21:28:04.533-04:00</updated><title type='text'>Jogo de queimada</title><content type='html'>&lt;strong&gt;-Chega! Chega - repetiu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela estava cansada, cansada de ter que entender todo mundo, de ter que dar conselhos, de ter que dizer sim, de ter que sorrir, mas o que mais a cansava era ter que ouvir o que ela mesma plantara, mas que na verdade, não devia ouvir.&lt;br /&gt;E foi por isso que gritou bem alto, como se a partir daquele momento aquilo tudo fosse deixar de existir.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;-Eu sempre fui assim, sempre fui assim.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela sempre deixou que os outros fizessem o que quisessem com ela. Ela tinha medo de dizer. Quando era criança e brincava na rua, era sempre a última a ser escolhida para o time da queimada. Era aquela que sobrava, a mais fraca.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Eu sempre fui a mais fraca, mas também nunca fiz questão de tentar ser forte.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É. Nunca fez mesmo. Ela deixava que os outros dissessem o que quisessem, fizessem o que quisessem, e ainda por cima, se aceitava como a mais frágil, como a mais fraca no time de queimada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Eles não me escolhiam porque eu realmente não sabia jogar. Só por isso.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Era assim que justificava os atos dos outros para si mesma. Mas os anos foram passando e na vida adulta pouco importava seu desempenho na queimada, pouco importava se ela conseguia se proteger da bola do time adversário.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Mas importa quantas vezes eu me calo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cada vez que ela se calava diante de uma afronta era como se ela não se importasse de ser a última a ser escolhida. Na infância, a hostilidade havia se instalada de tal forma no coração dela que como se quisesse se sentir melhor, tentou, cada dia mais, ser forte.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Acontece que ser forte não adianta em nada quando não se diz o que pensa, quando se deixa dizerem o que querem.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A grande verdade é que ela se acostumara a se calar para não chatear os outros e para não perder, por hora, o prestígio que havia alcançado entre os amigos, familiares e colegas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Eu tenho medo de não ser mais escolhida. Eu tenho medo, de reviver agora a hostilidade da infância.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E já fazia tempo em que ela havia conquistado o seu espaço nos jogos da vida. Mas o tempo não a ensinara que ela precisava ainda, por mais ridículo que pudesse ser, de um pouco de auto-afirmação, de confiança em si mesma e de personalidade para afirmar sem medo o que fazia sua cabeça doer irritantemente.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Dizem que eu falo demais, mas a verdade é que poucas vezes eu falo o que eu realmente quero dizer, principalmente quando preciso dizer verdade duras para quem eu amo.  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E o grito inicial só serviu para dar start em uma auto-análise que nem ela sabia se ia fazer algum sentido na realidade.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Eu não sei se posso gritar Chega!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O primeiro grito acontecia apenas em seu íntimo enquanto a vida continuava a passar e os jogos a acontecerem. O grito só serviu para entender a si mesma. Mas entender a si mesma, ainda estava longe de ser um Grito forte, firme e sem temor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-116001168430682978?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/116001168430682978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=116001168430682978' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116001168430682978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/116001168430682978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2006/10/jogo-de-queimada.html' title='Jogo de queimada'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-115893100351972977</id><published>2006-09-22T09:08:00.000-04:00</published><updated>2006-09-22T09:49:02.923-04:00</updated><title type='text'>Feche os olhos</title><content type='html'>Por Fabiana Lopes e Obede Jr.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3282/3697/1600/caf??.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3282/3697/320/caf%3F%3F.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ela era loira, pele branca, bochechas e boca vermelha. Andava com os pés descalços no cafezal. Era no meio das árvores cheias de grãos que ela caminhava quando estava quente e quando precisava arejar os grãos de seus pensamentos. Se pudesse não faria mais nada além de ouvir histórias e cantar cantos entre a sombra das árvores. Suas canções preferidas eram as de amor, porque quando as cantava ficava imaginando histórias com cheiro de café e depois as escrevia em seu caderninho azul.&lt;br /&gt;Ele, moreno queimado de sol, braços fortes da labuta, olhos cor de âmbar. Sorria e exalava saúde. Caminhava entre os pés de café como se fossem sua casa, e cada grão que colhia eram como se fossem seus filhos. Sonhava com sua fazenda cheia de cafezais e animais. Desejava um futuro bom, ao lado de um grande amor, como aqueles que acontecem nas histórias que lia. Adorava devanear enquanto sentia o café entre os dedos. A tardinha ia chegando com o sol já bem fraco e o trabalho já no fim.&lt;br /&gt;Palpitava o coração. A palpitação não era ao acaso, a dois passos de seu destino o coração já antecipava a emoção que nem ele mesmo sabia que sentiria. Ele agachou para apanhar sua cesta e quando olhou pra frente, num raio de cinco metros entre as árvores ele viu um par de canelas brancas cercados por uma saia rodada estampada. A saia rodopiava enquanto ela cantava.&lt;br /&gt;Ele podia ouvir a linda história da melodia e se os grãos de café tivessem ouvidos certamente não se deixariam colher enquanto não vivessem em seus pés o tempo suficiente para saborear aquele canção. A voz suave e doce da garota fez ele ficar agachado por muito tempo, paralisado, perplexo diante de tamanha beleza. Depois do encantamento, a curiosidade e a paixão lhe subiram a cabeça e ele queria descobrir quem era a dona das canelas e da voz mais bonita que ele já havia visto e ouvido. O som continuava a enfeitiçar seus ouvidos e sem ao menos perceber já estava de pé. Procurava a dona da voz e das canelas, mas procurava de um jeito incomum: De olhos fechados.&lt;br /&gt;Os poucos grãos lhe escaparam entre os dedos. Agora caminhava, sem rumo, na escuridão de olhos cerrados, e sem ao menos perceber o que estava fazendo. O som só aumentava e a beleza da voz o envolvia cada vez mais. Sentia o coração como que se quisesse correr ao encontro de tudo. A escuridão dos olhos agora sumira, e via pés de café envoltos numa neblina refrescante, cabelos louros e um rosto perfeito. Estava tão perto. Queria tocá-la. Queria tomá-la nos braços. Já podia sentir o perfume de mulher misturados ao cheiro de café que ele tanto gostava. Estava agora ainda mais delicioso de se respirar.&lt;br /&gt;Chegando bem perto percebeu algo incrível, estava de olhos fechados ainda. Pela primeira vez ele soube o que era ser guiado pelo coração. Quando ele abriu os olhos era como se ainda estivesse de olhos fechados pois enxergava exatamente o que seu coração sentia. Numa dança suave ela rodopiava e quando se virou de costa ele chegou bem perto de sua nuca e ela parou.&lt;br /&gt;Sentiu o calor do corpo dele se aproximar e ouviu os passos que amassavam os grãos de café caídos no chão.&lt;br /&gt; - Quem é você? Ele não conseguiu responder.&lt;br /&gt; Num pensamento único, como se os dois tivessem a mesma idéia e o mesmo sentimento, os corpos se aproximaram, os olhos se fecharam e eles se descobriram ao deixarem seu lábios se tocarem.&lt;br /&gt; E durante o beijo ele soube quem ela era e ela soube quem ele era como se já se conhecessem há tempos e como se a canela que ele vira fosse de alguém que caminhou ao lado dele a vida toda.&lt;br /&gt;E quando então já haviam vivido todos os amores do momento, todos os sentidos e todos os desejos, ele olhou-a nos olhos e disse:&lt;br /&gt; - Você é linda. Ela calou... caiu uma lágrima.&lt;br /&gt;- Eu não o vejo, sussurou ela tateando o rosto dele.&lt;br /&gt;Ele, por um instante, ficou surpreso e enxugando a lágrima disse sussurrando nos ouvidos de sua amada:&lt;br /&gt;- Não tem problema, apenas feche seus olhos...&lt;br /&gt;Ela sem entender: - Por quê?&lt;br /&gt; - Apenas feche os olhos e me abrace, vai dar certo. Ela abriu um sorriso de certeza, fechou os olhos e ele a abraçou.&lt;br /&gt;Nos braços dele, ela se sentiu livre de qualquer perigo, estava confortada com o calor do corpo dele, e como num instante mágico, aconteceu. Um clarão sobreveio e ela estremeceu o coração de felicidade. Abraçada a ele, via seus braços fortes protegendo-a, olhou para o grande pé de café atrás de ambos, envolto na neblina refrescante comum em sonhos. Ela então começou a chorar de felicidade, afrouxou o abraço e olhou bem para o rosto de seu amor.&lt;br /&gt;- Você tem olhos lindos, ela disse.&lt;br /&gt;Ele sorriu e beijou-a.&lt;br /&gt;Ela continuou olhando para as feições de seu amor, e acreditava não poder encontrar homem mais bonito e valente.&lt;br /&gt;Sorrindo para ela, ele apenas disse:&lt;br /&gt; - Viu como funcionou? É fechando os olhos...&lt;br /&gt;- ...que se enxerga com o coração! - ela completou como se soubesse desde sempre aquela frase.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-115893100351972977?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/115893100351972977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=115893100351972977' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/115893100351972977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/115893100351972977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2006/09/feche-os-olhos.html' title='Feche os olhos'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-115879460300902038</id><published>2006-09-20T19:20:00.001-04:00</published><updated>2006-09-20T19:23:23.010-04:00</updated><title type='text'>Goteira</title><content type='html'>Eram somente um&lt;br /&gt;Sem nenhum&lt;br /&gt;Sem um canto&lt;br /&gt;Somente o acalanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram somente um&lt;br /&gt;Sem nenhum&lt;br /&gt;Mas lhe restavam os afazeres&lt;br /&gt;Lhes guardavam os deveres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há uma goteira nessa telha. Pinga sempre em minha cabeça quando cozinho&lt;br /&gt;- Arrumarei no final de semana se conseguir vender as latas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando menos esperavam&lt;br /&gt;Lá estava ele&lt;br /&gt;No meio do dia o que nem mais esperavam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando menos esperavam&lt;br /&gt;Lá estava ele&lt;br /&gt;Pincelando no lençol, o amor lhes encantava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no meio dos dizeres&lt;br /&gt;Eles lembravam do que um dia haviam sido&lt;br /&gt;E recordavam dos prazeres&lt;br /&gt;E se entristeciam por tudo que haviam querido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada&lt;br /&gt;- Do que?&lt;br /&gt;- Por lembrar de mim quando há uma goteira pra arrumar, dinheiro pra ganhar e sono pra perder&lt;br /&gt;- Obrigado você&lt;br /&gt;- Do que?&lt;br /&gt;- Por ser minha mesmo quando há comida pra esquentar e roupa pra lavar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o sorriso relembrava a juventude&lt;br /&gt;E um tempo que não mais voltava&lt;br /&gt;E toda a vicissitude&lt;br /&gt;Era mais do que ela pensava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinto falta do passado&lt;br /&gt;- Também sinto. Mas o amor ainda existe...&lt;br /&gt;- Assim como a gente planejou que seria&lt;br /&gt;- O amor foi a única coisa que restou dos planos do passado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E adormeceram no sono da nostalgia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-115879460300902038?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/115879460300902038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=115879460300902038' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/115879460300902038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/115879460300902038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2006/09/goteira.html' title='Goteira'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-115721567959554502</id><published>2006-09-02T12:41:00.000-04:00</published><updated>2006-09-02T12:47:59.606-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Mais um antigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedinho de prosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me dá um doce?&lt;br /&gt;Alguém já viu um arco-íris?&lt;br /&gt;Que cheiro gostoso de bolo de milho&lt;br /&gt;Vou ficar descalço, está quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria dois degraus na frente de casa&lt;br /&gt;E um dedinho de prosa&lt;br /&gt;Uma prosa assim sem sentido&lt;br /&gt;Uma prosa assim sobre a vizinha&lt;br /&gt;o cachorro, o piriquito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dedinho de prosa, por favor&lt;br /&gt;Você pode me contar o seu sonho&lt;br /&gt;Eu te conto todos os meus&lt;br /&gt;De uma vez só&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho vários&lt;br /&gt;Mas o principal cabe num dedinho de prosa&lt;br /&gt;O seu não cabe?&lt;br /&gt;Não tem problema&lt;br /&gt; Te concedo dois dedinhos de prosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sabia que quando eu era pequena eu acreditava que o mundo cabia na minha mão?&lt;br /&gt;Você sabia que quando eu era pequena&lt;br /&gt;Eu ficava imaginando que tinha alguém em outra janela&lt;br /&gt;Vendo a mesma lua que eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah é? Você também&lt;br /&gt;A  gente descobre cada coisa nesses dedinhos de prosa&lt;br /&gt;É verdade?&lt;br /&gt;Que bom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu adoro prosear&lt;br /&gt;Vamos entrar&lt;br /&gt; Deixemos essa prosa&lt;br /&gt;Eu escrevi uma prosa pra você&lt;br /&gt;Vem ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26/10/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-115721567959554502?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/115721567959554502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=115721567959554502' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/115721567959554502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/115721567959554502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2006/09/mais-um-antigo.html' title=''/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-115713956015386995</id><published>2006-09-01T15:36:00.000-04:00</published><updated>2006-09-01T15:39:20.166-04:00</updated><title type='text'>Açucar no fundo da xícara</title><content type='html'>- O grande problema é que você não se permite ser feliz. Quando Lilian ouviu a frase dita, não quis entendê-la logo de cara, prefiriu esquecê-la e ousou pensar que ela não fazia sentido algum. Dias depois enquanto tomava um café com Pedro, ele lhe repetiu a frase.&lt;br /&gt;- O grande problema é que você não se permite ser feliz. Dessa vez Lilian ouviu com as orelhas, com a razão e o coração.&lt;br /&gt;Ao ouvir com as orelhas soou-lhe estranho e incabível. Ao ouvir com a razão soou-lhe verdade e agarrou-se a ela. Ao ouvir com o coração decidiu que queria modificar a verdade recém-sabida.&lt;br /&gt;Pedro apontou em direção ao seus tímpanos a mais pura verdade. Contou-lhe a verdade sobre ela mesmo.&lt;br /&gt;- Escute. Aqui está tudo o que é seu. Abriu uma página dobrada em quatro e mostrou as gravuras de cada coisa que ela tinha. Ela procurou, procurou, procurou e não achou algumas coisas que ela costumava enxergar na página que costumava olhar.&lt;br /&gt; - Você ainda continua? Ela desviou o olhar.&lt;br /&gt;- Continua? - insistiu Pedro, encarando-a.&lt;br /&gt;Lilian tirou da bolsa uma página do mesmo tamanho da que Pedro lhe mostrara.&lt;br /&gt; - Sim, continuo. Aqui estão as gravuras que costumo ver. Estavam ali sobre a mesa, entre as xícaras de café, as duas páginas com duas dobras e igualmente pintadas, exceto por duas ou três figuras a mais na página que Lilian acabara de abrir.&lt;br /&gt;Pedro tinha um jeito diferente de apontar os caminhos. Ele não costumava dar conselhos, dizer o que se devia fazer, mas ele gostava sempre de mostrar a verdade, e depois, que cada um fizesse o que quisesse com ela.&lt;br /&gt;- Está tudo aqui em seu perfeito lugar, mas você gosta mesmo de achar que não está. Você não se permite ser feliz.&lt;br /&gt;Foi só o que ele disse. Mas ela ouviu além. Só sobrou o açucar no fundo da xícara do café. Lilian dobrou a página que Pedro lhe mostrara e guardou-a em sua bolsa. A que antes costumava olhar, deixou embaixo do pires da xícara, em cima da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(09.08.06)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-115713956015386995?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/115713956015386995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=115713956015386995' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/115713956015386995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/115713956015386995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2006/09/aucar-no-fundo-da-xcara.html' title='Açucar no fundo da xícara'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33645155.post-115703213142161940</id><published>2006-08-31T09:35:00.000-04:00</published><updated>2006-08-31T09:51:44.243-04:00</updated><title type='text'>O menino da marchinha de carnaval</title><content type='html'>Desisti de postar os contos no &lt;a href="http://www.fotolog.com/fabiemclique"&gt;fotolog&lt;/a&gt; e vou usar esse espaço mais reservado pra expô-los. Espero que gostem e acompanhem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conto de hoje foi escrito no dia 14/03/2005, inspirado em uma cena real que eu vi no metrô. Um retrato do valor das coisas simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metrô, oito e meia da manhã. Um menino de oito ou nove anos, moreno índio, a camiseta esgarçada, vestido de uniforme escolar. Não vi ninguém ao lado dele e nem por perto, pensei que ele estivesse sozinho. Sentado no banco cinza, aquele reservado para gestantes, idosos e deficientes, o garoto ocupava os dois assentos do banco. Sentava em um, e o outro era ocupado por um caderno aberto.&lt;br /&gt;- Posso sentar ao seu lado? Perguntei.&lt;br /&gt;- Pode. Respondeu o garoto apanhando o caderno para que eu pudesse sentar. Então, ele abriu uma mochila, pegou um saquinho plástico e começou a revirar as coisas que estavam dentro, tirou um lápis e revirou mais um pouco, procurando por alguma coisa.&lt;br /&gt;Depois de chacoalhar o saquinho de tudo quanto é jeito, o menino finalmente achou o que procurava: o apontador. O lápis era pequeno e estava apontado dos dois lados, o menino tentou, tentou e tentou deixar a ponta boa para escrever, mas ela sempre quebrava (ele apontava demais).&lt;br /&gt;Como se desistisse, ele revirou mais uma vez o mesmo saquinho e tirou de lá uma caneta. Percebi que não era apenas eu quem observava o garoto.&lt;br /&gt;Um moço em pé abriu a mochila e pegou uma lapiseira.&lt;br /&gt;- Toma, fica pra você. Eu tenho outra.&lt;br /&gt;- Brigada. Disse ele com um sorriso.&lt;br /&gt;- É que nem lápis, só que não precisa apontar. Disse eu&lt;br /&gt;- Eu sei, é lapiseira. Falou ele.&lt;br /&gt;Abriu o caderno. Na Contra-capa o seu nome: Eduardo Filipe. Começou a escrever bem devagar: Mamãe ................eu ............quero............mamãe..........eu quero Mamãe eu quero mamar... Parou e ficou cantando baixinho. Deu um grito: - Manhêeee... Como é aquela música mesmo?&lt;br /&gt;- Qual? Ela respondeu sentada no lado oposto do corredor sem poder vê-lo já que entre eles havia muitas pessoas que lotam o metrô nesse horário.&lt;br /&gt;- Aquela lá... Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar. Cantou bem alto.&lt;br /&gt;- Ah filho, depois!&lt;br /&gt;Intrigado Eduardo voltou-se para o caderno e colocou um título sobre o que já havia escrito: Machinha (foi assim mesmo que ele escreveu) de carnaval. Ficou cantando bem baixinho a música, como se tentasse lembrar a continuação.&lt;br /&gt;- Dá a chupeta, dá a chupeta, dá a chupeta pro bebê não chorar. Cantei baixinho para ele.&lt;br /&gt;- Brigada. E escreveu o que eu tinha dito.&lt;br /&gt;- Manhêeeeee...&lt;br /&gt;- Depois Eduardo, agora não dá pra gente conversar, respondeu a voz que vinha de longe, já irritada com insistência do garoto.&lt;br /&gt;- Calma mãe! É que eu to aprendendo a escrever de caneta. Eu escrevi a marchinha e aqui não tem nem um erro. Falou orgulhoso.&lt;br /&gt;A mãe não respondeu. O menino ficou cantarolando baixinho, depois escreveu tudo de novo só que com a lapiseira que tinha ganhado.&lt;br /&gt;Estação Sé... Desembarque pelo lado esquerdo do trem.&lt;br /&gt;-Tchau. Despedi-me.&lt;br /&gt;-Tchau. Ele disse.&lt;br /&gt;Ficou olhando como se estivesse procurando alguém e quando achou o rapaz da lapiseira acenou empolgado e gritou: Tchaaaaauuuu.&lt;br /&gt;O rapaz sorriu e respondeu.&lt;br /&gt;Eduardo Filipe permaneceu no metrô, provavelmente ficou cantarolando, feliz porque tinha aprendido a letra da marchinha e a escrever de caneta e ainda tinha ganhado uma lapiseira. E agora que a maioria das pessoas havia descido, ele podia, finalmente contar tudo para mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33645155-115703213142161940?l=fabiemcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/feeds/115703213142161940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33645155&amp;postID=115703213142161940' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/115703213142161940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33645155/posts/default/115703213142161940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabiemcontos.blogspot.com/2006/08/o-menino-da-marchinha-de-carnaval.html' title='O menino da marchinha de carnaval'/><author><name>Fabiana Lopes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15628752973012205820</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
